23 de junho de 2011

A serenidade perante a paralisia do sono

"Conservar a sua serenidade frente a algo sombrio, que requer responsabilidade além de toda medida, não é algo que exige pouca habilidade: e, no entanto, o que seria mais necessário do que a serenidade?" (Friedrich Nietzche, Crepúsculo dos Ídolos)

A serenidade durante os episódios de paralisia do sono é a melhor arma para ultrapassar a angústia dos mesmos. Afinal de contas, todo o tipo de alucinações que possam surgir durante esses episódios não correspondem ao real, não correspondem ao mundo objetivo. É apenas um sonho.

Nós, ocidentais, infelizmente fomos educados na cultura do "bicho-papão" e por isso tendemos a ficar assustados com tudo. Podemos aprender com os monges tibetanos nesta matéria: eles não tomam essas alucinações como reais, mas sim como instrumentos que permitem cultivar a grandeza de espírito.

Deixo abaixo o relato de um jovem que conseguiu manter a tranquilidade durante um episódio de paralisia do sono e dessa forma ultrapassou todas as barreiras - mantendo, no entanto, a sabedoria de que tudo era apenas um sonho, e não um mundo independente e real. Leia o relato ao mesmo tempo que ouve o tema do vídeo - para enfrentar o sombrio e o desconhecido com mais força.


"Eu tentava falar, mas a voz não saía. Tentava levantar, mas não conseguia. Eu vi que já estava começando a dormir. Ouvi o som de passos de alguém subindo pela escada. A pessoa chegou e abriu a porta sem virar a chave. Pensei: Eu tranquei a porta. Como a pessoa conseguiu abrir? Depois eu ouvi, na sala, o som de um riacho, de água... Riacho dentro da minha sala? Que absurdo! Já são as cenas do sonho. Como sabia que estava dormindo concluí que só podia estar dentro de um sonho e resolvi aproveitar para brincar. Abri a porta e saí. Ao invés de descer a escada e ir para a rua, para fora, eu fui para o quintal. No quintal, sabendo que estava em um sonho tentei flutuar. Não consegui. Tentei mais uma vez, não consegui de novo. Eu estava eufórico pela sensação de poder voar então resolvi me acalmar. Tentei, com toda a calma e lentidão, flutuar levemente e bem baixo. Consegui! Flutuei até a laje da minha casa. Olhei ao redor. Tudo estava igual. Olhei o céu: tinha nuvens e, mesmo assim, era um sonho! Eu sabia que estava dormindo. Então, agora confiante, corri e dei um grande salto do alto da laje, sem medo. Comecei a subir com uma velocidade enorme! Um vento bem real começou a soprar contra o meu rosto, que nem quando a gente anda de carro rápido e põe a cara prá fora. O vento começou a ficar cada vez mais forte e eu me assustei. Então acordei."

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