24 de setembro de 2011

Superar o medo da paralisia do sono

Para alguém poder superar os seus medos, precisa de os afirmar e enfrentar. A paralisia do sono, apesar de ser terrível, é apenas um efeito dos mecanismos neuro-fisiológicos do ser humano, ou seja, é algo do corpo e só do corpo. Hipóteses que apresentam causas externas ao corpo, como a do espiritismo, são uma visão distorcida do conjunto de impulsos que governam o organismo; para superar um "desvio" do corpo não podemos enveredar por causas externas ao mesmo, pois aí surge a estagnação.

Quando a paralisia do sono acontece, deve-se manter a calma e tomar as alucinações como manifestações do conjunto mente-corpo - e a mente é apenas um "órgão" do corpo, não algo externo ao mesmo. Os impulsos procuram sempre dominar os outros impulsos, e por isso a unidade é a chave para ultrapassar o medo da paralisia do sono; unidade entre mente e corpo, não fragmentação, permite uma leitura atenta destas experiências. Não tomar as alucinações como algo exterior - elas são fenómenos interiores - é um passo importante para a superação da angústia desta condição.

4 comentários:

  1. Muito bom texto.
    Tenho 37 anos e tenho isso desde criança. De alguns anos para cá se tornou constante. Antes contecia apenas quando eu dormia de barriga para cima. Hoje acontece em qualquer posição. No entanto, eu não ouço nenhum ruido estranho, ouço apenas exatamente o que está acontecendo no meu rodor. Noutras vezes tudo se mistura com alucinações envolvendo meus filhos e esposa.Mas nunca monstros ou fantasmas. Outra coisa que acontece comigo, é que quando durmo durante o dia é quase constante. A unica coisa que consigo fazer é movimentar os pés, o queixo (que uso para bater osdentes e assimchamar a atenção de quem está domeu lado), ou produzir algum som gemido, com a intenção de chamar a atenção de quem está do meu lado para que mesacuda com força, aí eu acordo.

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    1. O mesmo processo ocorreu comigo, mas eu só conseguia mover os olhos, então os movia o máximo que eu podia e eu conseguia acordar. Depois que eu me mudei as alucinações terminaram, mas fiquei sabendo que o meu quarto da antiga casa já havia tido uma mesa de macumba... E o meu quarto atual pertencia a um bebê. Sei que é um acontecimento interno, mas não deixo de pensar que essas coincidências possam ter algum fundamento...

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    2. Finalmente Geovane aparece alguém como eu, que não tem para relatar factos mirambolantes, que apenas creio serem devidos à crendice e falta de esclarecimento. Eu apenas oiço a ou as pessoas da família, ouço-as falar, etc e tento chamá-las...mas não sai nada nem mexo... Passado algum tempo recupero.

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  2. Eu também passo por isso há muito tempo, cerca de 20 anos ou mais. No entanto, de uns 4 anos para cá, se intensificou. Não descarto ligação direta ou indireta com fenômenos, digamos, extra-corpo. E por uma razão simples: sou um ignorante, o que sei vai apenas até o limite do que a ciência explica. O que sei é que, coincidentemente, meus focos de estresse aumentaram sobremaneira nos últimos anos, e isso provavelmente tem ligação estreita com a constância do distúrbio. Outra coisa "interessante", que tenho percebido recentemente, é que de tanto passar e me preocupar com isso meio que desenvolvi uma técnica para sair de sonhos mais angustiantes. Explico: ao primeiro sinal de que o roteiro dos sonhos não é lá dos mais agradáveis parece que recobro parte da consciência, e então entro imediatamente no estado de paralisia do sono (cérebro desperta, membros não). E também, como de praxe, berro feito um louco internamente - na verdade, emito sons bem mais baixos meio externamente - e quem estiver do lado me acorda. Já pesquisei exaustivamente sobre o assunto, já falei com psicólogos, psiquiatras e clínicos, já busquei explicações espirituais. Fato é que o melhor remédio, por tudo que consegui entender, é aceitar. Uma hora ou outra, mesmo que décadas se passem, a PS pode nos deixar em paz. Há os remédios, claro, mas NENHUM é específico para Paralisa do Sono, Terror Noturno, Pesadelo e qualquer outro distúrbio do sono. Imagino que o máximo que fazem é minimizar, POR UM TEMPO, o problema. Mas sabe-se lá a que custo, não é? Por outro lado, um grande amigo, clínico, acaba de voltar de um congresso sobre distúrbios do sono com uma boa nova (que, bem dizer, eu já havia lido a respeito): a Melatonina, enfim, pode ser manipulada aqui no Brasil. Disse-me ele que tem sido usada para tratar o Transtorno Comportamental do Sono REM (o oposto da PS, e bem mais intenso do que esta), com resultados bastante animadores. Pode não ser a "cura definitiva", mas pela primeira vez fiquei curioso para testar um medicamento (bem diferente dos ansiolíticos e antidepressivos do mercado). Alguns medicamentos fitoterápicos me ajudam a controlar a angústia que a PS gera; o Ritmoneuram, por exemplo, faz com que eu durma melhor e por um pouco mais de tempo, e isso já ajuda - posto que quem dorme mal e pouco tem, segundo informações, maior frequência de episódios. Mas o fator psicológico, creio eu, também é preponderante. Prova disso é que, enquanto pouca importância eu dava pras PSs (até por não saber do que se tratava), pouquíssimas vezes passava por elas. Do momento em que mergulhei em pesquisas, passei a tê-las com muito mais frequência - o que, óbvio, me desencadeou um sono fragmentado demais e insônias (pelo medo de passar pelos episódios). Em síntese: PSs são chatas demais, angustiantes e opressoras. Mas, curioso, talvez possam nos servir como exercício de humildade. Afinal, a impotência que nos gera, o controle que nos rouba e o medo que nos faz sentir provam, em última análise, que realmente não controlamos nada nessa vida. Não mandamos em ninguém, não dominamos ninguém e não devemos oprimir ninguém. E num mundo onde cada vez mais impera a cultura do individualismo e da ganância, os "chacoalhões" das PSs podem nos fazer ponderar e atentar mais para uma série de coisas. É claro que eu preferiria não passar por isso, mas se tenho que passar que eu consiga extrair algo de positivo.

    Abraços

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