18 de fevereiro de 2012

Considerações sobre os Sonhos Lúcidos


Os sonhos lúcidos são muito estranhos, e por isso muito fascinantes. Tal como a experiência da paralisia do sono, os sonhos lúcidos cativam os seres humanos há muito tempo. Torna-se necessário, no entanto, não tomar essas experiências oníricas como reais, como sendo tão verdadeiras como as experiências sensoriais do estado de vigília. Os sonhos são, na maioria das vezes, algo de muito agradável, e poder controlá-los torna-os ainda mais interessantes. Contudo, só a realidade física é verdadeira. Todas as experiências oníricas são apenas um produto do trabalho do cérebro, ou seja, um efeito distorcido de causas físicas concretas.

Cumpre assim saber os mecanismos dos sonhos lúcidos. A Ciência aceita-os, porque está provado que ocorrem, mas ainda não se compreende muito bem os seus processos. Se podemos estar conscientes durante um sonho lúcido, com justiça perguntamos: «o que está consciente durante o mesmo?» Podemos responder que é a nossa mente, mas então perguntamos: «é toda a mente que está consciente ou apenas uma parte dela?» O estar consciente durante um sonho lúcido parece implicar que existe algo em nós que é independente do corpo enquanto este sonha, não é verdade?

A minha resposta é não. Nós somos o conjunto dos impulsos do nosso corpo, isto é, somos corpo e nada mais do que corpo. O que parece estar consciente durante um sonho lúcido é apenas uma parte do corpo, não algo distinto do mesmo, a saber: o hemisfério esquerdo do neocórtice (a parte do nosso cérebro mais sofisticada). Enquanto o hemisfério esquerdo pode estar acordado durante os sonhos, o complexo R, sistema límbico (as partes do nosso cérebro mais primitivas) e o hemisfério direito do neocórtice (tão desenvolvido quanto o esquerdo, mas menos sofisticado ou, exprimindo-me de outra forma, menos racional) não se encontram conscientes, pelo contrário, estão envolvidos ao máximo no processo dos sonhos. O que significa isto? Significa que durante os sonhos é possível uma parte do nosso cérebro estar acordada.

Normalmente, o hemisfério esquerdo do neocórtice não está acordado durante os sonhos, mas é possível, com a prática, alcançar a consciência sem que esta ação anule as imagens oníricas. É isto, na minha visão, aquilo que as pessoas que conseguem ter sonhos lúcidos fazem: promovem a consciência na parte do cérebro mais sofisticada – do ponto de vista evolucionista – para alcançar a lucidez durante os sonhos. Pelas experiências realizadas por profissionais de saúde e cientistas, parece não causar dano algum este despontar da consciência. Contudo, como muitos referem, os sonhos lúcidos podem fazer com que benefícios desconhecidos dos sonhos não-lúcidos sejam anulados.

Outro pormenor interessante é que algumas situações nos sonhos lúcidos repetem-se em todas as pessoas: as mãos aparentam ter mais dedos do que o normal, e algumas vezes estes mostram-se extremamente mutilados; olhar para um espelho sempre equivale a ver a nossa face desfocada; aos relógios faltam sempre ponteiros; os equipamentos eletrónicos são mais lentos; luzes fracas e que tardam em acender. Estes fenómenos recorrentes atribuem algum tipo de realidade aos sonhos lúcidos? Não, de certeza que se trata apenas da nossa configuração cerebral, são efeitos de causas neurológicas comuns a todos nós.

2 comentários:

  1. Que legal! a ciência tudo explica, aprova e classifica.
    Temo eu que uma dia há de surgir uma CRENÇA que não dê mais espaços a especulações e que dite é ou não é de tudo.
    rsrs

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  2. Eu tenho sonhos lúcidos de 3 a 5 vezes por semana, eu adoro

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